↓ Archives ↓

Archive → Janeiro, 2007

A representação social do origami, na área da saúde mental, como instrumento terapêutico – Bruno Ferraz

Artigo: A representação social do origami, na área da saúde mental, como instrumento terapêutico.

 

Por: Bruno Ferraz

Orientador: Mauro Paiva e Liana Ximenes
Universidade Estácio de Sá

  

________________________________________________________________________

RESUMO

O artigo tem o objetivo de mostrar qual a representação social dos profissionais da área de saúde mental, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, com relação ao origami, a arte de dobrar o papel,  no tratamento do doente mental. O trabalho está baseado em pesquisa bibliográfica e questionário aplicado em profissionais que trabalham na área da saúde mental, como psicólogos, psiquiatras, enfermeiros.

Palavras-chave: Saúde mental, Psicologia social da saúde, Origami, Terapia Ocupacional.

 
________________________________________________________________________ 

 

 

 

Introdução

 

Sempre pensei em realizar uma pesquisa, unindo o curso de psicologia com o origami, que é a arte de dobrar o papel, provinda da China, mas desenvolvida no Japão.

Faço origami desde criança e sou professor desde 1996. Quando entrei para o bacharelado não tinha idéia do tema, mas, ao iniciar uma pesquisa, usando o origami como instrumento terapêutico no Museu da Imagem e do Inconsciente da Nise da Silveira, acabei encontrando.

Neste trabalho proposto, pesquisarei se os profissionais da área de saúde mental conhecem a técnica do origami e, caso a resposta seja positiva, se eles a usam e como.

Outra motivação foram as aulas particulares que sempre ministrei para todos os tipos de alunos, dos seis aos oitenta anos de idade. Cada um visava o origami com seu peculiar interesse, uns para obter lucro financeiro, outros para complementar, como docentes, as atividades acadêmicas, outros ainda como hobby. Mas ninguém com objetivo terapêutico. Por mais que percebessem que o origami os deixava mais calmos e que, relaxados, logo trabalha  com a ansiedade, conversavam sobre diversos assuntos alheios à arte de dobrar o papel, na medida em que iam dobrando. Tenho alunos que fazem aula de origami, mas não sabem explicar o porque que continuam fazendo, já que a técnica razoável já foi alcançada. Eles permanecem,  pois o origami acaba deixando-os mais calmos e a aula tem ainda uma função de trabalho em equipe ou apenas de reflexão.

Percebi então, que a demanda inicial de alguns – aprender origami – passou para o segundo plano, visto que os benefícios terapêuticos – por que não – eram maiores.

O trabalho de um psicólogo e amigo, Ari Fialho, também motivou-me deveras, uma vez que seu trabalho de conclusão de curso se deu acerca da oficina de origami que conduzira no IPUB, da UFRJ, “Desdobrando a Loucura” foi o título de seu trabalho de conclusão de curso.

Deste modo, perguntei-me se o origami não poderia ser mais difundido em hospitais psiquiátricos, já que seus benefícios influenciam sobremaneira os pacientes.

A pesquisa foi exploratória, com enfoque bibliográfico, onde além da busca em fontes de referência também trabalhará com material estruturado, questionário. Em “anexo A” segue um exemplo de questionário a ser aplicado com os profissionais.

Em um primeiro momento foi feita a pesquisa bibliográfica consultando sites, artigos de trabalhos com origami nesta área, depois o mesmo será feito com o tema das Representações Sociais.

 

 

 
Sobre a arte de dobrar o papel – Origami

 

Um breve histórico do origami: origami é a arte de dobrar o papel, surgiu na China em celebrações religiosas, sendo levado pro Japão por monges onde desenvolveu e  aplicou essa arte em seu dia a dia, na ciência, educação, matemática, meditação e no  desenvolvimento. Dividindo a palavra origami em termos: oru e kami, dobrar e papel, respectivamente, logo, temos o termo ‘dobradura de papel’ (FERRAZ, 2005).

No mundo, o origami vem sendo aplicado em várias áreas, como na educação, tecnologia, pedagogia, arte, terapia. Sendo a terapia com o origami nosso objetivo neste trabalho.

Esta pesquisa terá como principal determinação, estudar a representação social que os profissionais da área de saúde mental têm sobre as potencialidades do origami e se eles estão, ou não, abertos para esta ferramenta.

 

 

 

 

Representação Social

 

Podemos delimitar a representação social com sendo “[...] uma modalidade de conhecimento particular que tem por função a elaboração de comportamentos e a comunicação entre indivíduos” (MOSCOVICI, 1978, p.26).

Em outras palavras, “[...] é uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social. Igualmente designada como saber de senso comum, ou ainda, saber ingênuo, natural, esta forma de conhecimento é diferenciada, entre outras, do conhecimento científico. Entretanto, é tida como um objeto de estudo tão legítimo quanto este, devido a sua importância na vida social e à elucidação possibilitadora dos processos cognitivos e das interações sociais” (JODELET, 2001, P.22).

 

 
Trabalhando com grupos operativos

 

Uma de muitas possibilidades de trabalho como instrumento terapêutico levantado é o trabalho em grupo. Esse trabalho se dá com o uso do origami modular, que são papéis dobrados igualmente, não muito complexos, e que repetimos diversas vezes, 3, 6, 12, 24, 30, 60, e depois encaixamos peça a peça até que se forme uma bola de origami, chamada kusudama. Veja no anexo B um dos variados diagramas deste tipo de trabalho.

Grupo operativo significa trabalho em grupo, como em processos de aprendizagem, de crítica e de questionamento da realidade, significando mudança no indivíduo que participa deste processo. Enrique Pichon Rivière (1907 – 1977) desenvolveu esta técnica.

O trabalho do origami em grupos operativos desenvolve  e potencializa a criatividade, a auto-estima, o relacionamento interpessoal, além da coordenação motora. A criatividade é desenvolvida, pois, depois de dobrar os módulos, o paciente irá pinta-los à sua forma, depois, juntos, terão que encaixar as peças, para concluir o kusudama de origami. Após os participantes, já que é muito importante que um coordene a montagem, solicitando as peças enquanto que os outros verificam se os passos estão sendo seguidos, do diagrama instruções, ou do coordenador da oficina.

 

Experiência e resultados em oficina com doentes mentais

 

Vou contar um pouco da minha experiência com a oficina de origami que ministrei como voluntário em um hospital psiquiátrico X. Na primeira vez que cheguei não tive muita atenção com o origami, já que alguns nem conheciam e preferiam continuar pintando ou modelando massa e outros diziam que origami era bem legal para crianças. Então comecei a fazer sozinho em uma mesa e a medida que as formas surgiam, pato, casa, caixa, iria assim despertando a curiosidades dos artistas naquele momento. Da segunda vez em diante, foi bem mais produtiva a oficina, pois eles lembraram de mim e resolveram dar-me a oportunidade de passar-lhes algo. Fizemos animais, caixas, enfeites, tudo em papel. Algumas peças pintava-mos o papel antes de dobrar com giz de cera e em outros deixávamos para o final do origami pronto. O origami modular, que são módulos que vão sendo encaixados e transformados em objetos geométricos de papel foi o que me motivou mais a continuar dobrando, já que com essa técnica consegui que todos da oficina deixassem de fazer as suas obras de arte sozinhos para faze-las coletivamente. Ensinei a fazer o módulo, depois cada um produzia o seu e pintava da sua maneira, findo os 30 módulos, éramos 5 ao todo, começamos a montar peça a peça. Um ficou responsável por coordenar as peças, outro orientava o que estava montando e um outro terminava de pintar. No final da oficina produzimos uma “bola” de origami e penduramos na sala.

Por motivos alheios a minha vontade não pude continuar lá na oficina e recebi recados de outros estagiários, voluntários de lá que quase 3 meses se passaram e ainda perguntavam onde estava o professor de origami, já que o mesmo de acordo com eles ajudava a deixar mais calmos e produziam objetos bonitos, decorativos.

 

O questionário

 

Foi aplicado em 9 profissionais da saúde mental, sendo: 3 psicólogos, 1 psiquiatra, 4 enfermeiros e 1 terapeuta ocupacional. 7 trabalham em hospitais psiquiátricos, 1 não trabalha no momento, mas já trabalhou em clinica particular e 1 trabalha em clinica particular.

Sobre a pergunta 1, qual a sua opinião sobre o origami, dobradura de papel, grande parte relatou que é um trabalho ensinado por professores em colégios. A 2, como você aprendeu origami, mostra que excluindo um participante, todos já tiveram contato no colégio com professores, mas já esqueceram praticamente todos as formas. A 3, de que  forma você acha que o origami pode ser aplicado como auxílio no tratamento do doente mental, e a 4, o que você espera desta técnica, tiveram respostas parecidas: 50% acha que pode ajudar na ansiedade,deixando mais calmo, 10% com trabalho em grupo,  40% não sabe dizer como.

 

 

Conclusão:

 

Posso concluir que realmente a representação social do trabalho com o origami na saúde mental é bem vista por profissionais da área de saúde mental, eles sabem em sua maioria o que é o origami, acham interessante, lembram da época do colégio, mas não tem a mínima técnica para passar aos pacientes de saúde mental. Muitos gostariam de trabalhar com o origami, uma vez que o material utilizado é de fácil acesso, não precisando ter que comprar material como no caso da pintura, argila, massa de modelar etc. O origami pode ser feito, com papel A4, folha de caderno, revista, além de se poder reutilizar o papel. Pode ser trabalhado coletivamente, individualmente com o paciente.

Creio que este trabalho cumpriu o seu objetivo de mostrar aos profissionais da área de saúde mental que o origami pode ser considerado como mais um instrumento que poderá ser utilizado no tratamento de doentes mentais. Atualmente diversos cursos são oferecidos para o aprimoramento desta técnica, além de sites com material extenso sobre o assunto, livros ainda é difícil de encontrar.

 

Rferências

 

LODELET, D. Representações Sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, D.(Org.) As representações sociais. Rio de Janeiro. EdUERJ, 2001.

 

MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1978.

 

PICHON-RIVIÈRE, E. Processo Grupal, 1980 Ed.

 

FERRAZ, BRUNO, Máscaras em Origami, 2006 Ed. Ciência moderna

 

FERRAZ, BRUNO, Origami – Aprender Brincando, 2004 Ed. Ciência moderna

 

Sites:

    * http://www.geocities.com/paper_folding/
    * http://www.ferrazorigami.com.br
    * http://www.origamiato.com.br
    * http://www.origami-club.com/en/

 

monografia:

 

    * Desdobrando a loucura – psicólogo: Ari Fialho, Rio de Janeiro, Agosto de 2001, UFRJ, Orientadora: Ana Maria Szapiro

Anexo A:

 

Questionário

 

Profissão:___________________________

Área de atuação:_________________________________

 

1)      Qual a sua opinião sobre o origami, dobradura de papel?

2)      Como você aprendeu origami?

3)      De que forma você acha que o origami pode ser aplicado como auxílio no tratamento do doente mental.

4)      O que você espera desta técnica?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anexo B:

(aqui você pode ensinar um origami modular ou animais por exemplo – não anexei o diagrama pelo formato grande do arquivo)

 

 

A representação social do origami, na área da saúde mental, como instrumento terapêutico – Bruno Ferraz

Artigo: A representação social do origami, na área da saúde mental, como instrumento terapêutico.

Por: Bruno Ferraz

Orientador: Mauro Paiva e Liana Ximenes
Universidade Estácio de Sá

________________________________________________________________________

RESUMO

O artigo tem o objetivo de mostrar qual a representação social dos profissionais da área de saúde mental, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, com relação ao origami, a arte de dobrar o papel, no tratamento do doente mental. O trabalho está baseado em pesquisa bibliográfica e questionário aplicado em profissionais que trabalham na área da saúde mental, como psicólogos, psiquiatras, enfermeiros.

Palavras-chave: Saúde mental, Psicologia social da saúde, Origami, Terapia Ocupacional.

________________________________________________________________________

Introdução

Sempre pensei em realizar uma pesquisa, unindo o curso de psicologia com o origami, que é a arte de dobrar o papel, provinda da China, mas desenvolvida no Japão.

Faço origami desde criança e sou professor desde 1996. Quando entrei para o bacharelado não tinha idéia do tema, mas, ao iniciar uma pesquisa, usando o origami como instrumento terapêutico no Museu da Imagem e do Inconsciente da Nise da Silveira, acabei encontrando.

Neste trabalho proposto, pesquisarei se os profissionais da área de saúde mental conhecem a técnica do origami e, caso a resposta seja positiva, se eles a usam e como.

Outra motivação foram as aulas particulares que sempre ministrei para todos os tipos de alunos, dos seis aos oitenta anos de idade. Cada um visava o origami com seu peculiar interesse, uns para obter lucro financeiro, outros para complementar, como docentes, as atividades acadêmicas, outros ainda como hobby. Mas ninguém com objetivo terapêutico. Por mais que percebessem que o origami os deixava mais calmos e que, relaxados, logo trabalha com a ansiedade, conversavam sobre diversos assuntos alheios à arte de dobrar o papel, na medida em que iam dobrando. Tenho alunos que fazem aula de origami, mas não sabem explicar o porque que continuam fazendo, já que a técnica razoável já foi alcançada. Eles permanecem, pois o origami acaba deixando-os mais calmos e a aula tem ainda uma função de trabalho em equipe ou apenas de reflexão.

Percebi então, que a demanda inicial de alguns – aprender origami – passou para o segundo plano, visto que os benefícios terapêuticos – por que não – eram maiores.

O trabalho de um psicólogo e amigo, Ari Fialho, também motivou-me deveras, uma vez que seu trabalho de conclusão de curso se deu acerca da oficina de origami que conduzira no IPUB, da UFRJ, “Desdobrando a Loucura” foi o título de seu trabalho de conclusão de curso.

Deste modo, perguntei-me se o origami não poderia ser mais difundido em hospitais psiquiátricos, já que seus benefícios influenciam sobremaneira os pacientes.

A pesquisa foi exploratória, com enfoque bibliográfico, onde além da busca em fontes de referência também trabalhará com material estruturado, questionário. Em “anexo A” segue um exemplo de questionário a ser aplicado com os profissionais.

Em um primeiro momento foi feita a pesquisa bibliográfica consultando sites, artigos de trabalhos com origami nesta área, depois o mesmo será feito com o tema das Representações Sociais.

Sobre a arte de dobrar o papel – Origami

Um breve histórico do origami: origami é a arte de dobrar o papel, surgiu na China em celebrações religiosas, sendo levado pro Japão por monges onde desenvolveu e aplicou essa arte em seu dia a dia, na ciência, educação, matemática, meditação e no desenvolvimento. Dividindo a palavra origami em termos: oru e kami, dobrar e papel, respectivamente, logo, temos o termo ‘dobradura de papel’ (FERRAZ, 2005).

No mundo, o origami vem sendo aplicado em várias áreas, como na educação, tecnologia, pedagogia, arte, terapia. Sendo a terapia com o origami nosso objetivo neste trabalho.

Esta pesquisa terá como principal determinação, estudar a representação social que os profissionais da área de saúde mental têm sobre as potencialidades do origami e se eles estão, ou não, abertos para esta ferramenta.

Representação Social

Podemos delimitar a representação social com sendo “[...] uma modalidade de conhecimento particular que tem por função a elaboração de comportamentos e a comunicação entre indivíduos” (MOSCOVICI, 1978, p.26).

Em outras palavras, “[...] é uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social. Igualmente designada como saber de senso comum, ou ainda, saber ingênuo, natural, esta forma de conhecimento é diferenciada, entre outras, do conhecimento científico. Entretanto, é tida como um objeto de estudo tão legítimo quanto este, devido a sua importância na vida social e à elucidação possibilitadora dos processos cognitivos e das interações sociais” (JODELET, 2001, P.22).

Trabalhando com grupos operativos

Uma de muitas possibilidades de trabalho como instrumento terapêutico levantado é o trabalho em grupo. Esse trabalho se dá com o uso do origami modular, que são papéis dobrados igualmente, não muito complexos, e que repetimos diversas vezes, 3, 6, 12, 24, 30, 60, e depois encaixamos peça a peça até que se forme uma bola de origami, chamada kusudama. Veja no anexo B um dos variados diagramas deste tipo de trabalho.

Grupo operativo significa trabalho em grupo, como em processos de aprendizagem, de crítica e de questionamento da realidade, significando mudança no indivíduo que participa deste processo. Enrique Pichon Rivière (1907 – 1977) desenvolveu esta técnica.

O trabalho do origami em grupos operativos desenvolve e potencializa a criatividade, a auto-estima, o relacionamento interpessoal, além da coordenação motora. A criatividade é desenvolvida, pois, depois de dobrar os módulos, o paciente irá pinta-los à sua forma, depois, juntos, terão que encaixar as peças, para concluir o kusudama de origami. Após os participantes, já que é muito importante que um coordene a montagem, solicitando as peças enquanto que os outros verificam se os passos estão sendo seguidos, do diagrama instruções, ou do coordenador da oficina.

Experiência e resultados em oficina com doentes mentais

Vou contar um pouco da minha experiência com a oficina de origami que ministrei como voluntário em um hospital psiquiátrico X. Na primeira vez que cheguei não tive muita atenção com o origami, já que alguns nem conheciam e preferiam continuar pintando ou modelando massa e outros diziam que origami era bem legal para crianças. Então comecei a fazer sozinho em uma mesa e a medida que as formas surgiam, pato, casa, caixa, iria assim despertando a curiosidades dos artistas naquele momento. Da segunda vez em diante, foi bem mais produtiva a oficina, pois eles lembraram de mim e resolveram dar-me a oportunidade de passar-lhes algo. Fizemos animais, caixas, enfeites, tudo em papel. Algumas peças pintava-mos o papel antes de dobrar com giz de cera e em outros deixávamos para o final do origami pronto. O origami modular, que são módulos que vão sendo encaixados e transformados em objetos geométricos de papel foi o que me motivou mais a continuar dobrando, já que com essa técnica consegui que todos da oficina deixassem de fazer as suas obras de arte sozinhos para faze-las coletivamente. Ensinei a fazer o módulo, depois cada um produzia o seu e pintava da sua maneira, findo os 30 módulos, éramos 5 ao todo, começamos a montar peça a peça. Um ficou responsável por coordenar as peças, outro orientava o que estava montando e um outro terminava de pintar. No final da oficina produzimos uma “bola” de origami e penduramos na sala.

Por motivos alheios a minha vontade não pude continuar lá na oficina e recebi recados de outros estagiários, voluntários de lá que quase 3 meses se passaram e ainda perguntavam onde estava o professor de origami, já que o mesmo de acordo com eles ajudava a deixar mais calmos e produziam objetos bonitos, decorativos.

O questionário

Foi aplicado em 9 profissionais da saúde mental, sendo: 3 psicólogos, 1 psiquiatra, 4 enfermeiros e 1 terapeuta ocupacional. 7 trabalham em hospitais psiquiátricos, 1 não trabalha no momento, mas já trabalhou em clinica particular e 1 trabalha em clinica particular.

Sobre a pergunta 1, qual a sua opinião sobre o origami, dobradura de papel, grande parte relatou que é um trabalho ensinado por professores em colégios. A 2, como você aprendeu origami, mostra que excluindo um participante, todos já tiveram contato no colégio com professores, mas já esqueceram praticamente todos as formas. A 3, de que forma você acha que o origami pode ser aplicado como auxílio no tratamento do doente mental, e a 4, o que você espera desta técnica, tiveram respostas parecidas: 50% acha que pode ajudar na ansiedade,deixando mais calmo, 10% com trabalho em grupo, 40% não sabe dizer como.

Conclusão:

Posso concluir que realmente a representação social do trabalho com o origami na saúde mental é bem vista por profissionais da área de saúde mental, eles sabem em sua maioria o que é o origami, acham interessante, lembram da época do colégio, mas não tem a mínima técnica para passar aos pacientes de saúde mental. Muitos gostariam de trabalhar com o origami, uma vez que o material utilizado é de fácil acesso, não precisando ter que comprar material como no caso da pintura, argila, massa de modelar etc. O origami pode ser feito, com papel A4, folha de caderno, revista, além de se poder reutilizar o papel. Pode ser trabalhado coletivamente, individualmente com o paciente.

Creio que este trabalho cumpriu o seu objetivo de mostrar aos profissionais da área de saúde mental que o origami pode ser considerado como mais um instrumento que poderá ser utilizado no tratamento de doentes mentais. Atualmente diversos cursos são oferecidos para o aprimoramento desta técnica, além de sites com material extenso sobre o assunto, livros ainda é difícil de encontrar.

Rferências

LODELET, D. Representações Sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, D.(Org.) As representações sociais. Rio de Janeiro. EdUERJ, 2001.

MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1978.

PICHON-RIVIÈRE, E. Processo Grupal, 1980 Ed.

FERRAZ, BRUNO, Máscaras em Origami, 2006 Ed. Ciência moderna

FERRAZ, BRUNO, Origami – Aprender Brincando, 2004 Ed. Ciência moderna

Sites:

* http://www.geocities.com/paper_folding/
* http://www.ferrazorigami.com.br
* http://www.origamiato.com.br
* http://www.origami-club.com/en/

monografia:

* Desdobrando a loucura – psicólogo: Ari Fialho, Rio de Janeiro, Agosto de 2001, UFRJ, Orientadora: Ana Maria Szapiro

Anexo A:

Questionário

Profissão:___________________________

Área de atuação:_________________________________

1) Qual a sua opinião sobre o origami, dobradura de papel?

2) Como você aprendeu origami?

3) De que forma você acha que o origami pode ser aplicado como auxílio no tratamento do doente mental.

4) O que você espera desta técnica?

Anexo B:

(aqui você pode ensinar um origami modular ou animais por exemplo – não anexei o diagrama pelo formato grande do arquivo)