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Archive → Agosto, 2007

BREVE HISTÓRICO DO ORIGAMI – Karla Matos

BREVE HISTÓRICO DO ORIGAMI

 

Origami é uma palavra composta das parcelas oru (dobrar) e kami (papel), consistindo na arte japonesa de dobrar papel, geralmente quadrado, sem recurso a cortes e com faces de cores diferentes.

Esta tradição cultural foi, durante muito tempo, transmitida apenas verbalmente. A sua origem permanece incerta, embora se pense tenha sido introduzida no Japão por volta do século VII através da influência chinesa.

Pensa-se que a invenção do papel se deva a T'sai Lao, administrador no palácio do imperador por volta do séc. 105 d.C. Este teria misturado cascas de árvores, panos e redes de pesca para substituir a dispendiosa seda que à data se utilizava para escrever.

Inicialmente, a dobradura do papel teve propósitos religiosos usados para envolver os noshi, ou oferendas, nos rituais xintoístas. No entanto, com o decurso do tempo, cedeu a fins práticos pela progressiva redução do custo do papel, o qual começou a ser utilizado para cartas e registros importantes, estando à disposição, porém, por apenas uma parte da sociedade – a classe nobre.

Foram os samurais, no início do século XVII, os responsáveis pela criação dos primeiros origamis que conhecemos atualmente. O mais interessante é que, ao contrário da visão infantilizada que se tem até hoje da arte de dobradura de papel, até o início do século XIX, o origami foi praticado como passatempo restrito aos adultos. E o alto custo do papel, definitivamente, era um dos principais motivos.

No fim do período Edo (1603-1867), a prática se estendeu às mulheres e crianças. Até o final dessa época já havia sido registrado cerca de 70 formas de dobraduras diferentes.

O primeiro e mais famoso deles é o tsuru (garça), que aparece nos exuberantes quimonos da época. Também conhecida como orizuru, a garça em dobradura representa felicidade e longevidade.

Na era Meiji (1868-1912), a arte passou a ser ensinada nas escolas e teve influência estrangeira de países como a Alemanha, onde a dobradura também era praticada.

Pontos importantes:

 

Ø     Em 1787 foi publicado o livro chamado Hiden Senbazuru Orikata, que continha o primeiro conjunto de instruções para dobrar o pássaro sagrado do Japão, o tsuru. Nele havia 1000 projetos apenas com o tsuru.

Ø     Em 1845 foi publicado outro livro (Kan no mado) que incluía uma coleção de aproximadamente 150 modelos de origami. Este livro introduzia o modelo do sapo, muito conhecido hoje em dia. Esta publicação facilitou para que o origami se espalhasse como atividade recreativa no Japão.

Ø     Os Mouros, no Norte de África, também conheciam a técnica de dobradura de papel e levaram-na para Espanha, em conseqüência da invasão árabe no século VIII.

Os mouros usavam a dobradura de papel para criar figuras geométricas, uma vez que a religião proibia-os de criar formas de animais. Da Espanha, o origami espalhar-se-ia para a América do Sul. E, com as rotas comerciais marítimas, entraria na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos.

Ø     Friedrich Froebel (1782-1852) foi o fundador do Movimento Kindergarten, que introduziu as dobraduras de papel nas atividades pré-escolares. Entretanto, elas só foram realmente desenvolvidas pelos seus seguidores, após a sua morte.

O Movimento Kindergarten foi levado para o Japão por uma senhora alemã, obtendo considerável aceitação. As dobraduras de papel eram ensinadas às crianças e fundiram-se com o tradicional origami. Com efeito, muitos dos modelos eram semelhantes e o origami foi trazido de casa para a escola.

Froebel nunca conheceu o termo "origami", nem este foi alguma vez usado pelo Movimento Kindergarten.

Ø     A grande divisão entre a antiga dobradura do papel e a nova surgiu cerca de 1950, quando o trabalho de Akira Yoshizawa se tornou conhecido. Foi Yoshizawa quem criou a idéia da dobragem criativa (Sasaku Origami) e inventou todo um conjunto de métodos que nada deviam ao origami do passado, permitindo dobrar uma série de animais e pássaros. Porém, ainda eram necessárias duas partes de papel para conseguir animais de quatro patas, o que só viria a ser ultrapassado com a invenção das Bases Blintzed, em meados da década de 1950 por outros entusiastas, especificamente o norte-americano George Rhoades. Antes disso, apenas era possível dobrar animais muito primitivos, incluindo o tradicional porco.

 

A História de Sadako (tradicional)

 

Depois da destruição de Hiroshima em 1945, muitas doenças surgiram entre os sobreviventes. Uma das vítimas, Sadako Sassaki, com dois anos no dia da explosão, começou a sentir os efeitos da Bomba Atômica aos 12 anos. Seu diagnóstico: Leucemia.

Quando Sadako estava no hospital, um amigo trouxe-lhe alguns papéis coloridos e dobrou um pássaro (tsuru). Contou-lhe que o pássaro é sagrado no Japão, vive mil anos e tem o poder de conceder desejos. Explicou-lhe que se uma pessoa dobrar mil tsurus e fizer seu pedido a cada um deles, seu pedido será atendido.

Sadako começou então a dobrar tsurus e pedir por sua cura, porém sua enfermidade se agravava a cada dia. Sadako desejou, desse modo, pedir a Paz Mundial.

A esperançosa menina dobrou 964 tsurus até 25/10/1955, quando “fez a passagem”. Seus amigos dobraram os tsurus restantes a tempo para seu enterro. Mas eles queriam mais, desejaram pedir por todas as crianças que estavam morrendo em conseqüência da explosão da Bomba Atômica. Então, formaram um clube e começaram a pedir dinheiro para um monumento.

Estudantes de mais de 3.000 escolas no Japão e de nove outros países contribuíram e, em 5 de maio de 1958, o Monumento da Paz das Crianças foi inaugurado no Parque da Paz, em Hiroshima. Todos os anos, no Dia da Paz (06/08), pessoas do mundo inteiro enviam tsurus de papel para o parque. A mensagem esculpida à base do monumento de Sadako é o desejo das crianças e, acredito, de todos aqueles que a lêem:

"Este é nosso Grito, Esta é nossa oração:
Paz no mundo
Sadako, onde você estiver, saiba que sua mensagem está sendo conhecida no mundo todo, e esperamos que também seja cumprida".

O Kusudama

 

Era um saquinho ornamental que continha fragrância ou perfume com o objetivo de eliminar odores desagradáveis ou nocivos. Kusu significa remédio e dama, bola. Era costume no Japão pendurar estas bolas com ervas medicinais na cabeceira da cama dos enfermos, com a intenção de afastar a doença.

Podemos afirmar que os kusudamas são origamis modulares, uma vez que são confeccionados a partir de módulos ou unidades. As primeiras instruções de um kusudama original foram publicadas no jornal "Origami" do NOA (Nippon Origami Association), em 1978. E, em 1990, Mokoto Yamaguchi publicou o livro "Kusudama Ball Origami", onde são ensinados 26 módulos muito interessantes.  

Aplicabilidade do origami na área educacional:

 

O origami tem fundamental importância para a formação da estrutura cognitiva do aluno. Como recurso metodológico, ele proporciona a exploração de conceitos geométricos, auxilia o desenvolvimento psicomotor e o senso de localização espacial, estimula a criatividade, desenvolve a percepção e discriminação de forma, posição e tamanho, além de promover o refinamento do senso estético das crianças, jovens e adultos, através das noções de proporção e harmonia, e cultivar a paciência, a determinação e a perseverança, tão importantes academicamente, e em nossa vida como um todo.

A dobradura de papel pode ser usada na Matemática, na Arte, nas Ciências Físicas e Biológicas, na Geografia e História, promovendo, inclusive, o lado social do indivíduo, através de trabalhos em grupo e atividades de cooperação, sendo também utilizado em terapias ocupacionais.

Exemplos de aplicabilidade em aula: confecção de animais (aves, peixes, mamíferos, etc); confecção de plantas; reciclagem de papel; testes de aerodinâmica de aviões e planadores de papel; história da invenção do papel e da imprensa; características da arte e costumes orientais; percurso das invenções através dos séculos e entre os povos; percepção e uso de outras formas de linguagem que não apenas a oral e escrita formais; desenvolvimento da capacidade para transmitir idéias oralmente e por escrito, etc.

Karla Matos

Teatro e Origami – Criando um personagem ou criando um origami? – por Bruno Ferraz

Teatro e Origami

Criando um personagem ou criando um origami?

 

 

 

   Outro dia estava pensando sobre como o ator criava um personagem para o teatro e percebi que no origami acontece algo parecido. Quando o ator recebe um texto de uma peça com um personagem, ele terá que criar aquele personagem, usando o seu corpo, gestos, olhar, etc.

        Podemos imaginar o ator como uma folha de papel em branco, no caso um quadrado, que a medida que esse personagem é criado, tem-se também a criação das dobras no papel. No final do modelo dobrado, temos equivalente no ator o personagem criado.

 

        Quando desdobramos o papel que havíamos feito o modelo de origami, um elefante por exemplo, teremos linhas, vetores, marcas, no papel. Quando o ator terminar a peça ele não conseguirá apagar de sua mente o conteúdo adquirido com a construção deste

 

personagem, assim, como a folha não é mais lisa, ele também não está mais em branco.

 

 

        Se pegarmos como exemplo um ator com uma grande jornada percorrida e o entrevistarmos, veremos que ele sofre influência dos personagens que mais marcaram sua vida, seja pelo feedback do público, seja pelo mergulho que teve que dar para poder criar o

 

personagem.

 


        Quem é o origamista senão um grande diretor
!

        27/08/2007

Bruno Ferraz – www.ferrazorigami.com.br


 

Galeria de Imagens

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